Primavera, alergias e lentes de contacto

As alergias sazonais são típicas nesta altura do ano e podem prolongar-se até ao verão, isto porque é nesta altura que existe uma maior concentração de pólenes no ar atmosférico.

Segundo a publicação “Primavera, época de alergias sazonais”- disponível no sítio www.paraquenaolhefalteoar.com – “Em portugal, os principais agentes que desencadeiam a alergia são as gramíneas (fenos), a erva parietária (alfavaca de cobra) e aos pólenes das oliveiras.”

“Habitualmente, o doente alérgico pode referir um historial de asma ou rinite, conjuntives ou manifestações cutâneas (como urticária e eczema).”

Embora os sintomas possam não ser evidenciados na primeira consulta, o optometrista deve explorar estas questões na anamnese e observar sinais externos. Olhos vermelhos, chorosos e que dão muita comichão devem ser alvo de uma observação cuidada. Pacientes alérgicos e utilizadores de lentes de contacto necessitam de um maior acompanhamento nesta altura do ano. É recomendado o uso de gotas de conforto caso as lentes se tornem desconfortáveis. Diminuição de horas de uso ou substituição por óculos pode ser a melhor opção em casos mais severos.

A Johnson & Johnson lançou recentemente um guia educacional para ajudar os novos utilizadores de lentes de contacto que sofrem deste tipo de alergias, aqui vão algumas dicas:

  • As lentes descartáveis diárias (que se usam apenas um dia) são sempre a melhor opção para quem sofre de alergias oculares. Ao colocar um par de lentes novas todos os dias o risco de acumulação de agentes que causam a alergia (alergénios) é praticamente nula. Além do mais, não necessitam de líquidos de limpeza.
  • Para quem já usa lentes de contacto e necessita de soluções de limpeza (lentes quinzenais, mensais, trimestrais etc), actualmente existem no mercado soluções sem conservantes que são indicadas para olhos mais sensíveis. Os agentes desinfectantes também poderão causar algum desconforto. Fale com o seu optometrista/contactologista para conhecer qual o melhor sistema de limpeza para si.
  • Diminua o número de horas de utilização das lentes em períodos do ano em que as alergias são mais frequentes.
  • Nunca use as suas lentes por um prazo superior ao estabelecido e não durma com elas.
  • “Esfregue os olhos com os cotovelos”! É o mesmo que dizer, não esfregue em demasia e energicamente os seus olhos.
  • Caso fique com os olhos muito vermelhos, sinta dores e a visão alterada, retire as lentes de contacto e procure de imediato um optometrista ou oftalmologista.
 veja o artigo original em: http://www.acuvue.co.uk/allergy-guide

O que o optometrista não deve esquecer acerca da Diabetes

A International Diabetes Federation (IDF) estimou que, em 2012, o número doentes com diabetes no mundo ascendia as 371 milhões de pessoas e que esse número iria duplicar nos próximos 25 anos. Neste mesmo ano, a doença causou a morte a 4,8 milhões de pessoas, metade das quais com menos de 60 anos.

Portugal coloca-se entre os países da Europa com maior prevalência da doença (12,7% da população com idades entre os 20 e os 79 anos). O que corresponde a aproximadamente 1003 mil indivíduos. Dados segundo o Relatório Anual do Observatório Nacional da Diabetes 2012.

Tendo em consideração o aumento exponencial da doença na população, à sua progressão silenciosa e às possíveis consequências oculares, torna-se fundamental a integração do optometrista na equipa de profissionais de saúde habilitados a lidar com o doente diabético. Uma boa articulação com o médico de família, oftalmologista e endocrinologista permite o bom seguimento de cada caso.

Com relativa frequência, o optometrista é o primeiro profissional a relatar possíveis sinais da presença da doença, quer por manifestações oculares (alteração da qualidade de visão e/ou patologias oculares associadas), quer por reconhecimento na sintomatologia inerente à doença.

Recordando…

A Diabetes é uma patologia metabólica, caracterizada pela alteração do mecanismo de regulação da glicose no sangue (glicemia). O portador da diabetes apresenta uma condição de hiperglicemia resultante da insuficiente produção (ou resistência) à insulina.

Os principais sintomas são: Poliúria (urinar muito), Polidipsia (ter muita sede), Polifagia (ter muita fome), emagrecimento repentino, fadiga generalizada, dores no corpo, xerostomia (sensação de boca seca), visão turva, dores de cabeça, náuseas e vómitos.

O diagnóstico é realizado a partir da medição da glicemia em jejum (FPG), glicemia ocasional (RPG), prova de tolerância à glicose e hemoglobina glicosilada (HbA1c).

Valores de testes sanguíneos para o diagnóstico da diabetes e pré-diabetes.

Figura 1 – Valores de testes sanguíneos para o diagnóstico da diabetes e pré-diabetes.

Conheça os principais sub-tipos:

  • Tipo 1, caracteriza-se por ser uma doença auto-imune (as células β do pâncreas são atacadas e destruídas pelo sistema imunitário), como tal existe uma incapacidade do organismo em produzir insulina. Tende a ser diagnosticada antes dos 30 anos e não está directamente relacionada com hábitos de vida e alimentação errados. O portador necessita sempre de insulina injectável.
  • Tipo 2, é o tipo mais comum e caracteriza-se pela insuficiente produção de insulina e/ou resistência do organismo à mesma (o portador não é dependente de insulina). O diagnostico é feito geralmente a partir dos 30 anos, ainda que o número de casos em jovens esteja a aumentar, estudos recentes revelam que 1/3 dos novos diagnosticados têm entre 10 a 20 anos. Pode estar associada a condições de hipertensão arterial e colesterol elevado.
  • Diabetes Gestacional, ocorre durante a gravidez como resultado de uma diminuição na sensibilidade à insulina. Habitualmente esta condição desaparece após o parto. No entanto, existe uma probabilidade de 50% das mulheres desenvolverem o tipo 2 ao longo da vida.

Sabia que…

- Pacientes do tipo 1 tem maior probabilidade de sofrerem de complicações associadas à doença, no entanto o tipo 2 sofre de mais complicações devido ao seu número elevado (estima-se que por cada tipo 1 existam 13 tipo 2)!

- Pacientes tipo 2 apresentam um risco superior de mortalidade associada a complicações cardiovasculares.

Pergunte pela monitorização da glicose

Todos conhecemos a importância da monitorização diária da glicemia por parte dos portadores da diabetes. No entanto, estudos afirmam que apenas 50% dos diabéticos o fazem de forma regular.

Como optometristas, devemos esclarecer o nosso paciente com diabetes acerca da sua doença. Promovendo uma relação próxima, ajudando-o a ultrapassar barreiras e atingir objectivos. Incentive a prática de exercício regular, alimentação cuidada e desenvolvimento de um estilo de vida mais saudável. Reforce a importância do controlo e monitorização diária da glicose no sangue e exemplifique o quanto isso pode afectar a sua qualidade visual.

Um bom controlo dos níveis de glicemia diminui o risco de desenvolvimento de retinopatia diabética no paciente com diabetes tipo 1 e 2.

A Hemoglobina Glicosilada (HbA1c)

“A hemoglobina glicosilada ou glicada (HbA1c) é uma forma de hemoglobina presente naturalmente nos eritrócitos humanos. É formada a partir de reações não enzimáticas entre a hemoglobina e a glicose. Quanto maior a exposição de hemoglobina a concentrações elevadas de glicose no sangue, maior é a formação dessa forma glicada” (1).

A HbA1c é um dos métodos de excelência no diagnóstico e controlo da diabetes. Com este valor, expresso em percentagem, pretende-se conhecer o valor médio da glicemia dos últimos 3 meses, descartando alterações de concentração episódicas. A American Association of Clinical Endocrinologists (AACE) recomenda um HbA1c abaixo dos 6,5% (consideram-se normais valores entre os 4-6%).

Conhecer a HbA1c do doente diabético significa proporcionar melhor cuidados de saúde.

Não esqueça!

- A progressão da retinopatia diabética é reduzida em 43%, por cada 10% de redução da HbA1c (A relação mantêm-se linear até a HbA1c atingir os 5%). Por isso é tão importante conhecer a HbA1c de cada paciente(2)!

- O controlo da tensão arterial é fundamental para a prevenção de doenças oculares e reduz significativamente o risco de complicações cardiovasculares associados à diabetes (3).

 

 

(1) http://pt.wikipedia.org/wiki/Hemoglobina_glicosilada

(2) (3) Obtido a partir dos estudos: Diabetes Control and Complications Trial (DCCT), The United Kingdom Prospective Diabetes Study (UKPDS).

Figura 1 retirada de http://diabetes.niddk.nih.gov/dm/pubs/diagnosis/

Este texto baseia-se no artigo “Ten things every doctor of optometry should know about diabetes” de A. Paul Chous.